9 de julho de 2026

Ministério Público vê risco de erros e fraudes em licitação de São Gonçalo


 O Ministério Público do Rio Grande do Norte identificou fragilidades na organização interna de um setor de licitações na Prefeitura de São Gonçalo do Amarante que, na avaliação do órgão, podem aumentar os riscos de erros, fraudes e ocultação de irregularidades.

O problema apontado está na concentração de diferentes funções do processo de contratação nas mãos do diretor do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran), situação constatada durante a análise de um procedimento envolvendo aluguel de veículos.

A preocupação consta em recomendação da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de São Gonçalo do Amarante, publicada nesta quarta-feira 8 no Diário Oficial do Ministério Público. O documento é assinado pelo promotor de Justiça Flávio Henrique de Oliveira Nóbrega e foi direcionado ao prefeito do município, Jaime Calado (PSD), e ao diretor do Demutran, atualmente Edmilson Gomes.

O MP aponta que, durante uma investigação, a própria Prefeitura e o Demutran informaram que as funções relacionadas à contratação de aluguel de veículos estavam centralizadas no diretor do órgão. Foi a partir dessa informação que o MPRN passou a cobrar uma reorganização dos fluxos internos de licitações e contratos.

O ponto central levantado pelo Ministério Público é a ausência de uma separação adequada entre funções consideradas sensíveis dentro do ciclo de contratação pública. Quando uma mesma autoridade concentra etapas distintas, diminui-se a existência de controles independentes entre quem autoriza, quem conduz ou formaliza a contratação e quem posteriormente fiscaliza a execução do contrato.

A Promotoria fundamenta a preocupação na Lei nº 14.133/2021, a nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos, que incorporou expressamente o princípio da segregação de funções. Pela legislação, a autoridade máxima de cada órgão deve evitar que o mesmo agente público exerça simultaneamente atividades consideradas mais expostas a riscos. O objetivo é justamente reduzir a possibilidade de ocultação de erros e de ocorrência de fraudes.

No documento, o MPRN também relaciona a necessidade de mudanças à proteção do patrimônio público e à prevenção de prejuízos ao erário.  Diante do problema identificado, a Promotoria recomendou ao prefeito de São Gonçalo do Amarante e ao diretor do Demutran que reestruturem os fluxos internos de licitações e contratos. A orientação é estabelecer uma separação “clara e objetiva” das diferentes funções exercidas ao longo do processo de contratação pública.