Joelma Gonçalves Martin, especialista da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), as crianças são mais vulneráveis à substância injetada pelo escorpião, por serem menores, com menos massa corporal que um adulto.
“É
um veneno extremamente agressivo. A criança é picada, recebe a mesma quantidade
de veneno que um adulto receberia, mas nela o veneno se distribui por um
organismo que tem um peso corporal menor. Então isso vai resultar numa dose de
toxina por quilo de peso maior nas crianças, do que no adulto”, explica a
pediatra.
No
Brasil há mais de 170 espécies de escorpião e os efeitos das picadas podem ser
mais ou menos perigosas, conforme a espécie e quem recebe o veneno. O
escorpião-amarelo, com ampla distribuição em todas as macrorregiões do Brasil,
é o responsável pelos acidentes mais graves.
De
acordo com Joelma, o veneno do escorpião possui toxinas que atuam no sistema
nervoso, causando diferentes sintomas que afetam principalmente o coração e o
sistema neurológico.
“Essas
substâncias podem causar ataque cardíaco importante, podem levar a hipertensão,
levar a edema agudo de pulmão. E, no caso do coraçãozinho da criança e do
sistema nervoso isso é mais intenso, já que as crianças têm menor reserva
fisiológica para suportar essas alterações”, diz.
De
acordo com a pediatra, o agravamento do quadro logo apresenta outros sinais
como taquicardia, sudorese, sinais de pressão alta, de pressão baixa,
convulsão, agitação psicomotora, sonolência, falta de resposta neurológica,
bradicardia (batimentos lentos), dor abdominal e falta de ar.
“A
intensidade dos sintomas da picada do escorpião vai depender, claro, da
quantidade de veneno que foi inoculada e da idade do paciente, sendo que as
crianças têm sintomatologia mais grave”, reforça Joelma Martin.
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