O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) declarou como irregular uma pesquisa realizada pelo Affare Institute que colocou o candidato Álvaro Dias (PL) na liderança da disputa pelo Governo do Estado.
O levantamento, divulgado em abril, foi
equiparado a uma pesquisa não registrada após a Corte constatar uma divergência
entre o plano amostral informado à Justiça Eleitoral e o perfil dos
entrevistados efetivamente ouvidos.
Por causa da irregularidade, o TRE condenou a
PNH Pesquisa de Mercado e Opinião Pública Ltda., responsável pelo Affare
Institute, e a O2 Soluções Ltda., identificada como Plano B Soluções e
contratante do levantamento, ao pagamento de multa de R$ 53.205. O julgamento
foi realizado na última terça-feira (4)em uma ação protocolada pelo partido Republicanos.
A pesquisa havia sido registrada sob o número
RN-07670/2026. O resultado apontou Álvaro Dias com 32,6% das intenções de voto.
Allyson Bezerra (União) apareceu em segundo lugar, com 27,8%, enquanto Cadu
Xavier (PT) registrou 25%. Os números destoam da maioria dos demais
levantamentos divulgados sobre a sucessão estadual, nos quais Allyson aparece
na primeira colocação.
Ao registrar o levantamento, o Affare
Institute declarou que as entrevistas seriam realizadas entre 7 e 11 de abril,
ouvindo 1.500 eleitores em todas as regiões do Rio Grande do Norte.
A principal irregularidade identificada pelo
TRE ocorreu na distribuição da amostra por nível econômico. O plano apresentado
à Justiça Eleitoral previa que 73,9% dos entrevistados teriam renda domiciliar
mensal de até um salário mínimo. Na pesquisa efetivamente realizada, porém,
esse grupo representou apenas 37,9% da amostra, uma diferença de 36 pontos
percentuais e 541 entrevistados a menos do que o previsto.
Ao mesmo tempo, os eleitores das faixas de
renda média e alta foram ouvidos em proporção muito superior àquela informada
no plano. Os entrevistados com renda entre dois e cinco salários mínimos e
acima de cinco salários deveriam representar, juntos, 11,4% da amostra, mas
passaram a corresponder a 44,5% do total.
Na faixa entre dois e cinco salários mínimos,
o percentual previsto era de 7,4%, mas chegou a 21,9%, uma diferença de 217
pessoas. Entre os eleitores com renda superior a cinco salários mínimos, a
participação saltou dos 4% inicialmente registrados para 22,6%, o equivalente a
278 entrevistados além do projetado.
Para o relator, desembargador eleitoral
Eduardo Pinheiro, a dimensão das diferenças afastou a possibilidade de tratar o
caso como uma pequena alteração operacional. No voto, ele afirmou que “salta
aos olhos a imensa discrepância entre o que estava previsto e aquilo que foi
efetivamente pesquisado”.
