21 de agosto de 2026

Justiça Eleitoral quer tropas federais combatendo facções criminosas nas eleições

 Facções criminosas, territórios sob domínio armado, tráfico de drogas em regiões de fronteira e riscos em áreas indígenas estão entre os motivos apresentados pela Justiça Eleitoral para recorrer ao reforço federal nas eleições de outubro.

Levantamento do mídia identificou pedidos de tropas em ao menos nove estados, num mapa ainda em formação que revela onde autoridades eleitorais enxergam ameaças à segurança e à liberdade da votação.

A busca encontrou solicitações ou decisões envolvendo Acre, Amazonas, Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Piauí, Rio de Janeiro e Tocantins. Os processos estão em estágios diferentes: em alguns casos, os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) já aprovaram a requisição; em outros, os pedidos ainda precisam percorrer etapas até a autorização final do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O levantamento também mostra uma dimensão que não aparece quando as decisões são observadas isoladamente. Somente Ceará e Maranhão já têm pedidos aprovados pelos respectivos TREs envolvendo 111 municípios. No Piauí, a solicitação alcança 45 zonas eleitorais. No Amazonas, foram registrados pedidos de 37 municípios. No Acre, oito das nove zonas eleitorais entraram na relação.

Nesta quarta-feira (19), o TSE voltou a detalhar as regras para o emprego das Forças Armadas nas eleições. A chamada Garantia da Votação e da Apuração (GVA) pode ser autorizada para assegurar o livre exercício do voto, a normalidade da votação e a apuração dos resultados.

Os pedidos são encaminhados pelos TREs ao TSE e precisam apresentar justificativas individualizadas. Depois de aprovados pelo Tribunal Superior, são enviados ao Ministério da Defesa.

Há ainda limites para a atuação militar. Nas localidades onde houver GVA, as tropas não podem permanecer a menos de 100 metros das seções eleitorais. Também não podem entrar nos locais de votação sem ordem da autoridade eleitoral competente ou do presidente da mesa receptora.

O governo federal já autorizou esse apoio em 128 localidades distribuídas por 42 municípios de Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Roraima.