18 de junho de 2026

Cidadão é absolvido por legítima defesa em júri popular na comarca de Macaíba

 O réu Leonildo Cassiano de Abreu foi absolvido por maioria de votos dos jurados no tribunal de júri da comarca de Macaíba, na Grande Natal. O réu foi representado pelo advogado criminalista Maciel Gonzaga de Luna, que conquistou na última terça-feira (16) a absolvição do acusado de tentativa de homicídio qualificado, após convencer os jurados de que ele agiu em legítima defesa.

O crime aconteceu em dezembro de 2007, na localidade de Fazenda Nova, município de Ielmo Marinho. Segundo a denúncia inicial, o homem teria inicialmente sido espancado pela vítima (Clemilsson Canela da Silva, conhecido por “Missinho”) e mais outros indivíduos de sua família, em uma confusão generalizada, que desferiram contra o réu socos, pontapés, bufetes, murros, tapas, etc. No meio da briga, Clemilson Canela desferiu um único golpe de faca de mesa na região do epigástrio esquerdo (próximo da virilha) após apanhar a faca de mesa junto a banca de um vendedor de laranjas. A vítima faleceu a caminho do hospital regional de Ceará-Mirim.

Durante o julgamento, o criminalista Maciel Gonzaga de Luna apresentou depoimentos e provas que contradiziam essa narrativa da denúncia. “Uma testemunha confirmou que, na verdade, o réu sofreu agressões violentas no momento da briga generalizada. Ele só conseguiu se defender após pegar a faca de mesa do vendedor de laranjas”, explicou o criminalista.

O advogado também apontou falhas na decisão de pronúncia - que é a etapa que leva o réu a julgamento - como a qualificadora “motivo fútil” (art. 121, parágrafo 2º, inciso II, do Código Penal), sem justificativa e inconsistências e, principalmente, sem levar em consideração a briga generalizada e a condição do réu de estar sendo espancado no momento. Essa questão foi reconhecida pelo Ministério Público, através do promotor de justiça Dr. Luiz Eduardo Marinho Costa em plenário, o que ajudou a fortalecer a defesa.

A sessão do tribunal do júri popular de Macaíba foi presidia pelo juiz Diego Costa Pinto Dantas.

Durante o julgamento, Maciel Gonzaga reforçou que o réu agiu apenas para se proteger. “Ele foi cercado por um grupo de cerca de cinco ou mais pessoas, todas da família da vítima, foi atingido por socos e, ao conseguir pegar a faca de mesa, usou o objeto para se defender, ferindo um único golpe, e logo depois deixou o local. Foi uma reação instintiva e proporcional à agressão que sofrida”, detalhou.