26 de maio de 2026

TSE considera pedido de votos em igrejas como “abuso religioso”

 O Tribunal Superior Eleitoral manteve a cassação e a inelegibilidade de políticos de Votorantim (SP) ao entender que houve uso da estrutura de uma igreja para promoção eleitoral. A decisão aponta “abuso de poder religioso” com discursos em culto, apoio explícito de líderes religiosos e benefício econômico à instituição religiosa em ano eleitoral.

Segundo o TSE, ainda que não exista tipificação criminal formal para “abuso de poder religioso“, ele pode ser identificado quando há enquadramento da conduta em algum outro tipo de abuso, como o do poder político ou econômico.

A decisão reforça o entendimento de que a liberdade religiosa não autoriza transformar templos em palanques políticos. Embora o TSE diga que não existe “abuso de poder religioso” como infração autônoma, o uso da autoridade espiritual pode configurar abuso político ou econômico quando compromete a igualdade da disputa.

Para analistas políticos, a decisão deve impactar as eleições de outubro ao aumentar a cautela de campanhas ligadas a grupos religiosos, ampliar a fiscalização de cultos e transmissões religiosas e servir como precedente para outros casos envolvendo apoio institucional de igrejas a candidatos.