30 de abril de 2026

Derrubada do veto presidencial ao Projeto da Dosimetria deve favorecer criminosos

 A sessão do Congresso Nacional marcada para esta quinta-feira (30) deve consolidar a articulação entre partidos do Centrão e da direita para derrubar o veto presidencial ao projeto de lei da Dosimetria Penal, em um movimento que vai muito além dos condenados pelos atos de 8 de janeiro.

Para salvar Jair Bolsonaro e os generais da trama golpista, a derrubada do veto abrirá caminho para beneficiar autores de crimes hediondos.

Na prática, a proposta altera regras de progressão de pena para crimes graves, incluindo feminicídio, milícia privada, crimes hediondos e liderança de organização criminosa.

O texto vetado pelo governo altera dispositivos do Código Penal e da Lei de Execução Penal. Entre os pontos centrais está a criação de uma regra específica para crimes contra o Estado Democrático de Direito praticados em contexto de multidão, permitindo a redução de pena de um terço a dois terços para participantes que não tenham exercido papel de liderança ou financiamento.

Além disso, a proposta modifica percentuais mínimos de cumprimento de pena para progressão de regime. Pelas regras atuais, crimes hediondos exigem o cumprimento de 70% da pena para réus primários. Com a eventual derrubada do veto, esse percentual pode cair para 40%. Em casos de crimes hediondos com resultado morte, a exigência pode ser reduzida de 75% para 50%.

Outros crimes também devem ser impactados. Para milícia privada e liderança de organização criminosa voltada à prática de crimes hediondos, o percentual de cumprimento de pena para progressão pode cair de 75% para 50%. No caso de feminicídio, a redução pode ir de 75% para 55%.

Na prática, a mudança encurta o tempo necessário para que condenados por esses crimes avancem para regimes mais brandos, como o semiaberto e o aberto. A alteração também pode influenciar diretamente o tempo efetivo de cumprimento das penas.