15 de dezembro de 2025

Avanço das facções é principal preocupação do Judiciário para eleições de 2026

 A influência de facções criminosas no processo eleitoral é uma preocupação central das autoridades para as Eleições 2026. Nos últimos dias, operações da Polícia Federal e decisões judiciais têm demonstrado tentáculos de políticos, inclusive para blindar envolvidos com facções, como o Comando Vermelho.

Há uma preocupação real, por exemplo, em casos fáticos sobre o atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) a fim de patrocinar candidaturas locais. Além de atuar no financiamento de contratos públicos e lavar dinheiro do tráfico de drogas.

Em 17 de novembro, durante aula magna na abertura do Curso de Aperfeiçoamento da Magistratura Eleitoral, o procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet, afirmou que “é impossível que haja um Estado Democrático de Direito no qual as facções [criminosas] concorram com o Estado para determinar o que pode ser feito na área” do direito eleitoral.

Em março deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por unanimidade, consolidou a tese de que “a vedação de candidatura de integrante de organização paramilitar ou congênere deriva diretamente do art. 17, § 4º, da Constituição Federal, norma de eficácia plena, que impede a interferência, direta ou indireta, no processo eleitoral, de todo e qualquer grupo criminoso organizado”.

O entendimento é de que a Justiça Eleitoral não pode fechar os olhos à realidade nacional na qual organizações criminosas buscam se infiltrar na política, em uma simbiose entre a atuação como integrante do Estado e a continuidade delitiva.