Uma nova proposta de reforma da Previdência Social vai além de mudanças pontuais e lança a ideia de alterar completamente a arquitetura dos sistemas de aposentadorias e benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
A ideia de uma segunda reforma previdenciária
pode parecer precoce - a mudança de 2019 ainda está em transição-, mas os
especialistas afirmam que é essencial para estabilizar a despesa, que segue
crescendo em ritmo acelerado, em especial porque o Brasil está envelhecendo
mais rápido que o previsto.
Se adotada na íntegra, ao final deste século,
a reformulação estabilizaria a despesa previdenciária na casa de 10% do PIB
(Produto Interno Bruto). Hoje, o custo já equivale a 8% do PIB. Se nada for
feito, chegará a 17% em 2100.
A reorganização ocorreria em dois eixos. De
um lado, seria feita uma nova rodada de alterações chamadas “paramétricas”,
como a elevação da idade mínima da aposentadoria. A meta seria sair
gradualmente dos atuais 62 anos para mulheres e 65 para homens, até chegar à
idade mínima de 67 anos na aposentadoria para ambos os sexos, nas áreas urbana
e rural - hoje há diferenças significativas.
O eixo mais profundo da reformulação mexe no
modelo previdenciário. O sistema atual, baseado 100% em repartição solidária,
seria gradualmente substituído por uma estrutura mista.
Metade das contribuições iria para uma
capitalização financeira. A poupança pessoal seria administrada por seguradoras
privadas cadastradas no INSS e também por um fundo público, para elevar a
concorrência. A outra metade das contribuições seria destinada a um sistema
nocional, ou seja, escritural, dentro de um regime público de repartição
administrado pelo INSS.
O grupo redigiu, além do documento
explicativo, um texto legislativo para iniciar a tramitação de uma PEC
(Proposta de Emenda à Constituição). Haveria uma escala geracional na
implantação da nova reforma. Após a promulgação, as regras valeriam
integralmente para jovens até 24 anos; pessoas com 50 anos ou mais teriam só
mudanças paramétricas e permaneceriam no sistema atual.
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