13 de julho de 2026

Federação PP-União deve retirar apoio a Flávio Bolsonaro e anunciar neutralidade

A federação formada por União Brasil e Progressistas (União Progressista) não deve apoiar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, segundo integrantes das cúpulas dos dois partidos.

Sem uma aliança nacional, a tendência é que os diretórios estaduais das legendas tenham liberdade para apoiar o candidato que considerarem mais conveniente em cada estado.

A decisão foi influenciada por desgastes na relação entre Flávio e dirigentes da federação nos últimos meses, além da pressão de lideranças estaduais pela neutralidade na disputa pelo Palácio do Planalto.

A federação partidária reúne duas ou mais siglas, que passam a atuar nacionalmente de forma conjunta durante, no mínimo, quatro anos.

O Progressistas (PP) já demonstrava insatisfação com a postura de Flávio desde que o presidente da legenda, senador Ciro Nogueira, foi alvo da Polícia Federal na investigação envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro, em maio deste ano. Nogueira esperava uma manifestação pública de Flávio Bolsonaro em sua defesa, o que não ocorreu.

Antes do desgaste entre as duas legendas, a hipótese de Ciro Nogueira compor como vice em uma chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro chegou a ser considerada.

Em seguida, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, também passou a demonstrar incômodo após a prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro e aliado de Flávio.

Além desses episódios, os presidentes dos partidos receberam, desde o início do ano, pedidos de filiados para que a federação mantivesse neutralidade na disputa presidencial. O principal argumento é regional: deputados, especialmente do Nordeste, avaliam que um apoio formal a Flávio poderia prejudicar candidaturas locais em estados onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém forte apoio eleitoral.

Apesar da decisão de não embarcar nacionalmente na campanha de Flávio Bolsonaro, o Progressistas pretende liberar seus diretórios estaduais para definir os apoios locais.