17 de junho de 2026

Ministério Público aperta o cerco para evitar uso da PM para fins eleitorais

O Ministério Público do Rio Grande do Norte resolveu fechar o cerco contra o uso da estrutura da Polícia Militar para fins de promoção pessoal ou político-eleitorais.

O promotor Wendell Beetoven Ribeiro Agra emitiu recomendação ao comandante-geral da PM, coronel Alarico Azevedo, para que policiais sejam proibidos de divulgar operações, viaturas, armamentos, quartéis e ações da corporação em perfis particulares.

Embora a recomendação tenha alcance amplo, o contexto eleitoral aparece de forma explícita no documento. O Ministério Público afirma que agentes públicos têm utilizado imagens produzidas durante o serviço para conferir credibilidade a posicionamentos pessoais e até impulsionar futuras candidaturas, o que poderia comprometer a neutralidade política que deve orientar as forças de segurança.

A proposta vai além das redes sociais. O texto recomenda que policiais deixem de utilizar uniformes, brasões e outros símbolos da corporação em publicações pessoais e também sugere que seja proibida a entrada e permanência de veículos com propaganda eleitoral em imóveis administrados pela Polícia Militar.

Em caso de descumprimento, a regulamentação deverá prever responsabilização disciplinar, além de eventual comunicação ao Ministério Público Eleitoral quando houver indícios de infração à legislação.

A recomendação também aponta outro aspecto relevante. Para o Ministério Público, a divulgação indiscriminada de operações policiais pode comprometer estratégias de segurança e prejudicar o trabalho das forças policiais, além de expor pessoas envolvidas em ocorrências sem autorização judicial.