9 de maio de 2026

Walter diz que não assumiu o governo “porque a situação financeira era muito delicada”

O vice-governador Walter Alves (MDB) afirmou que recusou assumir o Governo do Rio Grande do Norte porque, ao analisar as contas do Estado, concluiu que herdaria uma crise fiscal que, segundo ele, vinha sendo minimizada pela gestão Fátima Bezerra (PT). Em entrevista à 96 FM, Walter disse que houve “quebra de confiança” com o governo e acusou a administração estadual de não ter apresentado com transparência a real dimensão dos problemas financeiros que cairiam sobre ele caso assumisse o Executivo.

O vice-governador disse que não participava do núcleo de gestão, não integrava o comitê gestor e, quando assumia interinamente o governo por poucos dias, não tinha poder efetivo de decisão.

De acordo com Walter, o governo passou a repassar informações oficiais, e ele reuniu auxiliares que atuaram nas gestões de Garibaldi Alves Filho para analisar os números. O diagnóstico, segundo ele, foi de que a situação era “muito delicada”. A partir daí, afirmou ter sido alertado de que assumiria o governo por poucos meses, mas sairia com desgaste profundo, carregando problemas acumulados ao longo da gestão petista.

O ponto mais grave, segundo Walter, foi a forma como o governo teria tratado a dívida dos consignados. Ele contou que na época o valor ultrapassava R$ 360 milhões. O valor citado por Walter foi posteriormente reconhecido pelo próprio governo em discussão na Assembleia Legislativa.

Walter Alves também citou indicadores fiscais para justificar a decisão de não assumir o governo. Ele afirmou que o Rio Grande do Norte está entre os estados em pior situação fiscal do país e disse que os dados não representam uma “narrativa” política, mas informações oficiais.

Na entrevista, Walter disse que o Estado chegou a virar de 2025 para 2026 com um rombo de R$ 3 bilhões e poderia acumular mais dívidas no exercício seguinte. Ele também mencionou atrasos com fornecedores, terceirizados e médicos, além das cobranças de servidores por reajustes e nomeações.

O vice-governador afirmou que, caso assumisse, passaria a ser responsabilizado por todos esses problemas.

Walter Alves também confirmou que houve tentativa de tirar o comando do MDB de suas mãos no Rio Grande do Norte, mas evitou nominar os responsáveis. “Tentaram, mas não conseguiram”, afirmou.