23 de março de 2026

Itaú fecha agências, corta empregos e amplia pressão sobre bancários

Bancários de todo o país vêm protestando contra o fechamento de agências e as demissões no Itaú, denunciando os impactos da reestruturação promovida pelo banco sobre trabalhadores e a população.

Mesmo com resultados bilionários, o Itaú Unibanco segue reduzindo sua estrutura. Em 2025, a holding encerrou o ano com 82.693 trabalhadores no Brasil, após eliminar 3.535 postos de trabalho em 12 meses, sendo 916 apenas no último trimestre.

No mesmo período, o banco fechou 319 agências físicas, enquanto ampliou sua base de clientes em 1,8 milhão, ultrapassando a marca de 100 milhões.

Para o movimento sindical, os números escancaram uma contradição: o banco cresce, aumenta sua base de clientes e mantém alta lucratividade, ao mesmo tempo em que reduz o atendimento presencial e enxuga o quadro de funcionários.

O fechamento de unidades tem provocado superlotação nas agências remanescentes, com filas extensas, demora no atendimento e dificuldade para a resolução de demandas básicas.

Clientes são obrigados a se deslocar para unidades mais distantes, que muitas vezes não possuem estrutura física nem número suficiente de trabalhadores para absorver o aumento da demanda.

A reestruturação também tem impactado diretamente os bancários. Dados apontam que 79% dos trabalhadores atingidos foram realocados - frequentemente em condições inadequadas -, enquanto 18% foram desligados e 3% pediram demissão diante da pressão.

Relatos indicam aumento das metas, intensificação da cobrança por resultados e crescimento dos casos de adoecimento, como estresse, ansiedade e depressão.

Para a coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú, Valeska Pincovai, a política adotada pelo banco é inaceitável. “Manifestamos profunda preocupação e repúdio diante do fechamento contínuo de agências promovido pelo Itaú. Não se trata apenas de uma decisão administrativa, mas de uma escolha que impacta diretamente a vida dos trabalhadores e da população”, afirmou.