O Ministério Público do Rio Grande do Norte realizou nesta quarta-feira (25) a Operação Cuidado Velado para apurar queixas sobre violações de direitos humanos a pacientes internados em uma clínica de reabilitação localizada em Parnamirim.
No momento da abordagem, mais de 100 internos estavam no
local, que foi interditado judicialmente.
A operação busca desarticular o grupo responsável pelo
estabelecimento. As investigações começaram junto à 4ª e 13ª Promotoria de
Justiça de Parnamirim após vítimas e familiares relatarem isolamento social,
agressões físicas e psicológicas. Os promotores identificaram internações
involuntárias e ilegais, incluindo pessoas que não possuíam dependência
química.
A investigação apura os crimes de associação criminosa,
maus-tratos, cárcere privado e tortura. A ação foi coordenada pelo Grupo de
Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Polícia
Militar. Participaram oito promotores de Justiça, 17 servidores do MPRN e 40
policiais.
Durante a operação, foram apreendidos aparelhos
eletrônicos, prontuários médicos e fichas de admissão. Promotores colheram
depoimentos de internos que afirmaram estar no local contra a própria vontade.
Quatro pessoas foram detidas em flagrante por cárcere privado. As provas
indicam um padrão de internações forçadas, com relatos de sequestro, contenção
física, sedação forçada e isolamento incomunicável como forma de castigo.
Nos depoimentos, vítimas relataram confinamento em quarto
de castigo, agressões físicas e contenção química. Segundo relatos, internos
eram forçados a ingerir misturas de medicamentos macerados, o que causava
períodos prolongados de sono. Um noticiante afirmou ter sido mantido preso no
subsolo em cárcere prolongado.