O céu, o canto dos animais, o comportamento das plantas e
até o trabalho das formigas voltaram a ser observados com atenção durante o 30º
Encontro dos Profetas da Chuva, realizado no Instituto Federal do Ceará (IFCE),
campus Quixadá.
A edição histórica reuniu profetas, agricultores,
estudiosos e visitantes de diferentes regiões do Nordeste para compartilhar
previsões sobre a quadra chuvosa de 2026 e celebrar uma tradição que
atravessa gerações no Sertão.
A avaliação predominante entre os profetas aponta para
um "inverno de fraco a intermediário", com tendência maior para
o intermediário. Mesmo entre os mais pessimistas, há um consenso: as chuvas
mais significativas devem se concentrar nos meses de março, abril e maio.
Helder Cortez explica que as previsões ainda são
apresentadas com cuidado. Segundo ele, apenas uma pequena parcela dos profetas
aposta em um inverno considerado bom, enquanto a maioria fala em regularidade,
sem grandes excessos.
Aurélio Leal, de 78 anos, profeta há 15 anos e morador de
Quixeramobim, está entre os mais cautelosos. “Não é bom, porque todas as
previsões estão dando negativamente”, disse. Ainda assim, reforça que o período
mais chuvoso deve ocorrer a partir do fim de fevereiro. “Inverno pesado mesmo,
o mês que chove mais é março. Aí pega março, abril”, explicou, com base na
observação da fauna e da flora.
