O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) decretou
a prisão preventiva de seis dos sete policiais militares que já se encontram
presos temporariamente sob acusação de prática de diversos crimes, entre eles
participação em grupo de extermínio com atuação em Natal e municípios da Região
Metropolitana.
A notificação foi entregue ontem (2) à administração da
unidade prisional onde os militares estão sendo custodiados.
Apenas um soldado da Polícia Militar do Rio Grande do Norte,
que há época da prisão, em agosto deste ano, estava lotado no Tribunal de
Justiça do RN, obteve habeas corpus. Os militares estão detidos na Companhia
Independente de Policiamento de Guarda, que fica na mesma área do Batalhão de
Operações Especiais (Bope), na zona norte de Natal.
A prisão desses policiais ocorreu após um ano de
investigação do Departamento de Polícia Federal no RN. No dia 6 de agosto deste
ano, uma operação denominada Hecatombe, houve a prisão de 17 pessoas. A suposta
quadrilha atuava no extermínio de ex-presidiários, traficantes e assaltantes,
teria cometido, ao longo de dois anos, 22 assassinatos, conforme investigações.
Com base em depoimentos de testemunhas, a Polícia Federal
obteve informações de o bando cogitava atentado contra a vida de uma delegada
de Polícia civil do RN e um promotor de Justiça do Ministério Público Estadual,
além de um agente da Polícia Federal.
Um soldado da Polícia Militar e os sócios de um bar
localizado em Jenipabu, município de Extremoz, aparecem nas investigações como
supostos líderes do bando. As vítimas da quadrilha eram mortas, segundo as
investigações, sob encomenda de terceiros, questões pessoais ou disputa pelo
controle de pontos de tráfico de drogas.
A Polícia Federal assumiu as investigações a partir de
denúncias e depoimentos de ao menos duas testemunhas — uma mulher e um homem. A
mulher, narrava periodicamente às autoridades, diversos crimes ou planejamentos
cometidos pelos integrantes do bando. Devido ao risco, essas duas pessoas foram
incluídas no Programa Federal de Assistência a Vítimas e a Testemunhas
Ameaçadas.