O ministro Kássio Nunes Marques tomou posse como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na última-feira (12) para um mandato de dois anos. Nunes Marques será o responsável por comandar a instituição durante as eleições gerais de outubro vindouro.
A expectativa de especialistas é que o ministro tenha uma atuação discreta, tendo em vista o seu perfil adotado no STF. A expectativa é que seja uma condução mais ponderada, com atitudes mais moderadas, e que ocorram menos embates públicos. Nas eleições de 2022, o presidente do tribunal era o ministro Alexandre de Moraes, com um perfil de mais protagonismo.
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro demonstram desconfiança quanto a atuação do ministro Nunes Marques nas eleições vindouras, devido aos recentes gestos de aproximação entre o magistrado e o governo Lula (PT).
Parlamentares de oposição afirmam que Kassio até tem um alinhamento ideológico à direita, mas avaliam que a gestão do magistrado no TSE não será necessariamente favorável ao seu grupo político. O perfil apaziguador do ministro é apontado como um entrave a esse cenário.
Kassio também deu sinais de que atuará em defesa da urna eletrônica, um tema sensível para o bolsonarismo. O ex-presidente, preso em razão da trama golpista, também foi declarado inelegível por atacar a credibilidade dos equipamentos. O ministro tem dito que, como presidente do TSE, o combate às fake news sobre o sistema eletrônico de votação é uma pauta institucional prioritária, especialmente em tempos de inteligência artificial.
Diante de uma possível batalha jurídica entre as campanhas de Lula e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Kassio afirmou a interlocutores que quer o TSE interferindo o mínimo possível nas disputas políticas, para que os eleitores e os candidatos sejam os verdadeiros protagonistas do pleito, e não a Justiça Eleitoral.
